Querida eu do futuro, quanto tempo passou desde a última vez, certo? Tanta coisa aconteceu desde a última palavra publicada aqui. A gente perdeu o Cauê pra um acidente de carro, entramos na faculdade, a gente completou 21 anos e muitas outras aconteceram desde então.
Final de 2024 foi uma bomba de sentimentos para nós. Perder um amigo, parceiro de palco e de câmera no dia em que o curta-metragem que estávamos no elenco ia lançar, vai ficar para sempre em nossas piores lembranças. Depois disso, foi como se tudo tivesse saído dos eixos. A gente não falou com mais ninguém do técnico e nunca mais também vimos o Pedro, a Drê ou todo pessoal do elenco. Mas com isso, descobrimos que foi somente nós que fizemos essa escolha, de se afastar, de se excluir do mundo... Talvez eu não soube lidar com toda essa perda.
Na verdade, o problema está em nós que não sabe lidar com nada e prefere "proteger" todos de nós mesma... A gente só precisa de um motivo, um pretexto, talvez.
Enfim, chegou 2025 e sendo bem sincera, este ano de 2025 que pra muita tem sido de realizações, pra gente não é bem assim. A melancolia da vida adulta chega pra todos, não tem jeito. Só decidimos ingressar na faculdade de Letras porque foi o que restou, era o que conseguíamos passar... De todas as outras que prestamos não deu certo, então a gente apela pro comodismo. Se é que há algum comodismo nisso... Além disso, a gente meio que só desistiu da nossa vida, os planos, os sonhos, tudo, pra permanecer na nossa cidade. Na verdade, nós não tínhamos muita escolha, ou era ficar aqui ou não era fazer nada, não tinha como irmos para outro lugar tentar uma outra vida, além de pobres, somos covarde demais pra isso. Mas, uma coisa pode-se dizer que foi feita: a nossa vida de artista acabou, aquela mente de sonhos impossíveis não existe mais. A gente tenta fugir muitas vezes da nossa realidade, mas é impossível quando a todo momento a gente se depara com ela... Essa vida não é pra nós, não somos boa no que fazemos tão pouco temos investimento pra melhorar. Desistir combina mais com nós, então hoje só carregamos o título de que algum dia fomos atriz.
Não vamos mentir, as escolha que tomamos na vida não nos fazem feliz, de verdade, nesse cenário atual que a gente se encontra, somos muito infeliz. Mesmo. Odiamos a faculdade, odiamos o curso que a gente faz, não gostamos do rumo que a vida tomou, mas nós precisamos ser pé no chão e encarar que não estamos sozinha nessa, que muita gente também passa por isso. Não somos a única e nem a última vítima disso.
O mais engraçado disso tudo é que seguimos o conselho da pessoas que disseram que deveríamos fazer uma faculdade diferente daquilo que você tem como profissão, que seríamos mais felizes desta maneira. Porém, essa felicidade parece estar um pouco longe, talvez além das estrelas porque não conseguimos enxergá-la, ou ela ainda não nasceu? Vamos descobrir isso no futuro...
Bom, altas reflexões por aqui, certo? Sim, mas é só o que conseguimos fazer... Tá um pouco difícil aceitar o rumo que a vida tá tomando, essa infelicidade constante que não vai embora e isso ocorre desde o começo das aulas, ao que percebemos... O semestre acabou e até agora não conseguimos fazer amizade com ninguém na sala. Está muito difícil, torna-se um lugar pior ainda estando sozinhas nessa jornada...
Sinceramente, não sabemos muito o que pensar sobre isso, é bastante complicado e exaustivo. Enfim, nós estamos descobrindo que as escolha que fazemos tem um peso, né?
Neste presente momento, a gente só decidiu seguir uma vida comum, fazer a faculdade, terminar e viver essa vida comum. Trabalhar como professora (ou não). Fazer licenciatura em francês e grego e, pelo visto, chegou ao fim essa sede desse sonho falido de ser atriz? Por ora, neste ano, vamos manter como um hobby, para não largar a professora de teatro na mão, mas em 2026 não sei se queremos mais esse aspecto na nossa vida.
Essa é mais uma das coisas triste da vida adulta: descobrir que aquilo que um dia você achava que te fazia tão feliz, não faz mais.
E como está aí no futuro?

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